Imprensa vs imprensa

A semente do anti comunismo foi plantada durante o estado novo, menos pela imprensa e mais pela ditadura varguista, e o sentimento foi crescendo em doses homeopáticas mesmo sob a constante tensão da guerra fria, até que nos anos 60 virou questão de segurança nacional. O resto da história é bem conhecida. Esse sentimento, que hoje é uma soma de medo com ódio, ainda está enraizado na classe média auto-denominada meritocrata. Atualmente, assim como cinquenta anos atrás, o grande incentivador dessa onda de intolerância é a imprensa, controlada por algumas das famílias mais ricas do país. O medo de um longínquo comunismo, mesmo que o Partido Comunista Brasileiro na época também tenha feito oposição a Jango, levou os jornais de maior tiragem a apoiar uma “revolução” que, segundo eles mesmos, acabaria em 65, para quando estavam marcadas as próximas eleições. Muita ingenuidade, já que quatro anos depois alguns desses mesmos jornais lutavam sem sucesso contra uma constante censura e violentas formas de repressão.

Afinal, quem vai salvar a imprensa de si mesma? O monopólio midiático é ignorado por uma geração educada pela globo e pelo conservadorismo militar, mas regularização não deve ser confundida com censura. Paradoxalmente, o cidadão que entende os projetos de lei como cerceamento de liberdades básicas da democracia defende o neoliberalismo como pilar da livre concorrência, sem perceber que a diversidade também pode servir a grande imprensa como serviço público, e não apenas como lucrativos conglomerados voltados ao entretenimento e a progressiva idiotização. Salvar a mídia de si mesma significa não radicalizar o senso comum como no primeiro trimestre de 1964, quando o anti comunismo odioso d’O globo somado ao editoriais do Estado de São Paulo, que desde 61 pedia interveção militar, deram coro a voz de jornais menores e conseguiram derrubar um presidente apenas porque era combativo no que diz respeito a distribuição de renda.

Independente de boa ou má gestão, sabe quem também é extremamente combativa em relação a dimimuição do abismo entre ricos e pobres, mesmo que custe sua própria popularidade? Uma tal de Dilma Rousseff. Regular a mídia está entre as principais bandeiras levantadas pela presidente. Idealismo sincero, atacando diretamente o subjetivo poder moderador que hoje pertence aos Marinhos, Mesquitas e aos enfraquecidos Sarneys, entre poucos outros. A iniciativa de regular a imprensa brasileira usando exemplos de sucesso mundo afora, porém, dificilmente será colocada em prática, haja vista o corredor polonês que a presidente terá de percorrer até 2019. Preocupante, já que, enquanto os principais grupos de comunicação mantiverem a mesma postura de mais de meio século atrás, a democracia por aqui continuará do jeito que sempre foi: frágil.

Um comentário

  1. Olá, possuímos uma ong chamada entrelinhas, em prol do livro, leitura, literatura e bibliotecas e gostaríamos muito de ter registrado o domínio em tempo hábil. Porém, não conseguimos. Existe alguma possibilidade de negociarmos este domínio?

    Agradeço desde já o contato.
    Atenciosamente,
    Gláucia Maindra

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