A tal da governabilidade

Os principais partidos, tanto de situação quanto de oposição, parecem viver uma crise ideológica, o que tem inviabilizado o amadurecimento de frentes que visam uma governabilidade objetiva. Seja quais forem as prioridades, legislar sob clima de guerra é prejudicial e nada contribui para a discussão de temas de interesse público, mesmo assim, a imprensa mostra que adora novelizar embates políticos, no ciclo eterno de mais do mesmo. Uma oposição ativa é o principal pilar de democracias maduras, mas não cabe atacar a situação com mensagens de ódio quando na prática há pouca contribuição sobre o que deve ser diferente: basta ser do contra e pronto. É quase sempre injusto comparar a outros países, mas tamanha é a vantagem de uma discussão respeitosa que os americanos tradicionalmente dão maioria no senado e na câmara ao partido contrário a presidência. Outro obstáculo desnecessário é a quantidade de rixas internas no maior partido do país, um PMDB sem identidade e que por isso mesmo sempre fez parte da base governista, já que a única posição assumida como consenso entre seus filiados e até mesmo fundadores é ser pró democracia, muito pouco depois de sete eleições.

Votações “sobre temas importantes” poderia ser uma expressão redundante. Tudo que a câmara e o senado votam deveria ser importante, mas o clima pós eleição, a frustração dos que não foram reeleitos, financiamentos privados milionários que dão a lobistas o poder de legislar geram um clima de vingança e uma possível quebra do acordo de alternâcia partidária na câmara, escancarando o quanto a bagunça do tal partido de centro pode atrasar um país inteiro. São tempos de escândalos, crise econômica, neofascismo e desinformação, mas pela primeira vez parece ser remotamente possível fazer o Brasil funcionar de baixo para cima. É fundamental, portanto, escolher o mais difícil: deixar de lados elaboradíssimos planos de poder e conciliar diferenças partidárias até que se tenham frentes de esquerda, direita e centro muito bem definidas, de forma que um presidente possa ter alguma noção sobre com quem pode e com quem não pode contar.

 

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