O local, o global e o criativo

Disposta a acalmar investidores e ao mercado financeiro como um todo, a presidente Dilma Rousseff convidou um banqueiro para ser seu próximo ministro da fazenda, mas a recusa de Luiz Carlos Trabuco, apesar de ter alegado motivos pessoais, deixa claro que todos os cotados para o cargo temem pelo que aconteceu com o “italiano”, como Guido Mantega é conhecido pelos mais próximos: inflexibilidade por parte da presidente. Não conseguir contar com sua primeira opção para a pasta mais importante é o preço que se paga pela fama de intervencionista. Mesmo com a escolha de um nome familiar aos aristocratas da Faria Lima, o clima pesado entre governo, mercado e, principalmente, industriais do estado de São Paulo deve continuar até que surjam os primeiros indícios de crescimento sólido, o que parece uma realidade distante.

Antes da recessão técnica ser a gota d’água para o despertar de investidores em fúria, que financiaram com valores recordes lobistas para aumentar a influência no legislativo, o crescimento do Mercosul já dava sinais de desaceleração, além de não ter permitido o Brasil assinar acordos bilaterais com membros da União Européia. “Independência” do bloco, porém, é algo inimaginável para planos que visam aumento de influência internacional por meio do fortalecimento de relações regionais. A tão sonhada cadeira como membro permanente do conselho de segurança passa por uma aliança construída de baixo para cima, cuja atual relevância fez com que muitas economias influentes concordassem silenciosamente quando fomos classificados como “anões diplomáticos.

A criatividade contábil, relativização de metas fiscais, do que é investimento, o que é despesa e até mesmo sobre o que é o superávit não fazem nada além de atrapalhar um planejamento de longo prazo, além de simplesmente desprezar a lei de responsabilidade fiscal. Seja quem for o próximo ministro da fazenda, o escolhido precisará tornar a economia menos dependente do fragilizado mercado internacional, tendo em vista a queda dos preços de commodities, mas ainda mantendo a política de valorização do salário mínimo e geração de empregos. Mesmo assim, não haverá clima ou base aliada confiável para a realização de uma reforma tributária, que precisa urgentemente dimuinuir os custos de manufaturas, já que estimular a indústria por meio de isenções paliativas é o mesmo que esperar competitividade quando esta depende quase que exclusivamente do câmbio. Aceitar o desafio de guinar a economia sob uma pressão maior que o habitual será, além de tudo, uma grande demostração de coragem.

 

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