Reformas, já!

Existem hoje 32 partidos representados por pelo menos um deputado ou senador nas câmaras legislativas, mas será que de fato existem 32 correntes ideológicas que possam ser identificadas de forma clara? Negativo, lógico. Por aqui, a pluralidade não é de ideais, e há muito as legendas fazem parte de um mercado de votos e de tempo na tv. Mesmo sob uma legislação eleitoral obsoleta que faz o congresso beirar o caos, leis são votadas, mas independência e política são forças que se anulam, logo, em um cenário hipotético com tanta diversidade de ideias seria prontamente considerado um grande avanço democrático, mas trazendo essa hipótese para realidade, seria impossível governar.

A falta de firmeza na vertente opinativa dos três maiores partidos não poderia gerar outro resultado senão o reflexo das suas próprias incertezas nos “nanicos”. Extinguir legendas de aluguel por meio da cláusula de barreira é um dos maiores benefícios que a reforma política pode trazer, desde que somada ao fim do financiamento privado. Mesmo sob a incessante tentativa do senso comum generalista de rotular PMDB, PT e PSDB com base em declarações vazias de seus políticos mais influentes, é quase impossível, devido a conflitos internos e a ainda frequente troca de legendas, definir o real projeto que cada um desses partidos têm para o Brasil, especialmente o PMDB. Vale também a ressalva para um PSDB que, disfarçado de social democracia, se aproxima de uma extrema-direita inquieta, autoritária – com o perdão da redundância, e amargurada com doze anos de PT na presidência, com mais quatro por vir.

A cada dois anos o poder dessa trindade é fortalecido, e contraditoriamente o projeto político que embasou o surgimento dessas legendas tende a ser mais e mais flexível, algo que parece ser totalmente ignorado até que surjam dissidências a nível nacional. Dessa forma os eleitores são obrigados votar na pessoa, e não no partido, correndo ainda o sério risco de, por meio do quociente eleitoral, eleger oportunistas despreparados ou megalomaníacos autoritários, o que parece ser moda na “nova” direita. Talvez seja ingênuo acreditar na mais pura forma de democracia, na qual candidatos têm chances e tempos iguais para apresentar seus projetos, sendo quase obrigado a fazer isso em vez de tentar desconstruir a imagem de seu adversário, mas é possível sim diminuir o abismo absurdo entre legendas tradicionais e partidos pequenos que sobrevivam a um eventual aumento na rigidez da cláusula de barreira.

 

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