O velho medo de conhecimento

A histórica fama de pouco combativo do brasileiro, responsável pelo famoso jeitinho, pode ser uma das justificativas para tanta raiva guardada em certos setores com mania de superioridade, um raciocínio que não contribui para nada além de pregar o ódio. Mais de mil anos após os primeiros ensiaos sobre democracia ainda existe um grande movimento de pessoas teoricamente bem instruídas que defendem privilégios legais para aqueles que pagam mais impostos, basicamente um sistemas de castas protegido pela legislação. Outros, como o deuputado federal Aldo Demarchi (DEM-SP), ainda defendem a volta do sufrágio restrito, de forma que o cidadão beneficiado por alguma assistência do governo federal tenha suspenso o seu direito de votar. Argumentos influenciados principalmente por idealizações religiosas tentam transmitir a idéia de que, ao defender o voto censitário ou disparar injúrias contra regiões mais pobres, o sujeito não está exercendo seu direito de forma violenta, no entanto essa intolerância que desperta de forma cada vez mais assutadora é sim uma violência, e daquelas que se encontra camuflada numa sociedade que foi forjada pelo preconceito e por um forte sentimento de “salve-se quem puder”.

É interessante notar que existem opiniões de tamanha mirabolância a respeito do que é pouco conhecido. Velhos clichês como “o melhor programa social é um emprego” simplesmente desprezam o contexto no qual a pessoa foi e está inserida. Distribuir renda não significa ter a visão simplista de tirar dos ricos e doar aos pobres, o que chega a soar pueril como de fato é, mas sim investir de forma que todos tenham oportunidades minimamente parecidas. A moda da meritocracia leva a crítica gratuita daqueles que pensam diferente, muitas vezes por meio de ofensas pessoais quando os contrariados sequer pensam em um dia oferecer as mesmas oportunidades que teve aqueles que discordam de si, mesmo que assim fosse mais fácil estabelecer um debate. Muito desse espírito de cada um por si parece ser heranca da bagunça na construção de uma unidade política.

Pesquisas históricas comprovam por meio da repetição em diversas teses que uma das maiores preocupações dos brasileiros aristocratas no início do século 19 era restringir o acesso a informacão, uma prática medieval ainda adotada por regimes autoritários. Prova disso é remeter a criação da primeira universidade da américa latina, Universidad de San Marcos, no Peru, em 1551, enquanto a primeira faculdade do Brasil ficaria pronta apenas em 1808. Duzentos anos depois, o sentimento de que se deve dificultar o acesso é parecido. Uma pequena melhora em índices de alfabetização e a lenta abertura do ensino superior não significam que mentalidade tende a mudar, já que não é apenas na escola que se educa. O processo é muito mais complexo do que a “mera” discussão de pautas delicadas como regulamentacão da imprensa e universalizacão do acesso a cultura, já que a demanda por direitos civis e fiscalizacão política passa pela criacão de uma alternativa ao senso comum. Enquanto houverem forcas radicais, muitas disfarçadas em partidos grandes, sempre haverá uma insegurança convertida em ódio por uma classe média conservadora e intolerante, o que só tende a dividir cada vez mais um povo que pouco dialoga e muito “dá jeito”.

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