Isenta, mas nem tanto

Certos mitos são repetidos com tanta frequência no inconsciente coletivo que acabam sendo creditados como verdades absolutas, entre eles a crença de que o jornalismo deve transmitir a notícia de forma imparcial. Mesmo em uma democracia fortalecida por eleições regulares e pela liberdade de imprensa como a nossa, não existem indícios claros sobre como essa idealizada isenção deve ser praticada. Além da maior parte da interpretação ser responsibilidade do leitor-ouvinte-expectador, o uso de certos tipos de discurso tende fazer com que o informado não busque o maior número possível de conclusões sobre o mesmo fato. A situação fica ainda mais complexa se levarmos em conta os editoriais dos jornais de maior circulação no país, assim como veículos de menor tiragem que fazem o papel de contraponto a grande imprensa, portanto, adotando uma postura de “oposição jornalística”.

Mesmo com as infinitas opções disponibilizadas pela internet, o brasileiro que acredita na imparcialidade parece esquecer que mora num lugar onde o monopólio midiático é uma inflexível tradição, o que levou a ONG Repórteres Sem Fronteiras a nos classificar como o “país dos 30 Berlusconis” em 2013. Os resultados da desinformação são evidentes, e, apesar de um pequeno progresso educacional, um estudante beneficiado por programas federais ainda assim cai na armadilha de dar crédito a veículos que disfarçam posicionamentos retrógrados sob um falso conceito de isenção. Aparentemente, o simples fato de demonstrar interesse em obter informação é uma forma de status e, dessa forma, o cidadão que lê apenas títulos do Estado de São Paulo ou da Veja tem seu ego inflado por uma falsa intelectualidade, o que na verdade não passa de arrogância.

Não existe nada de errado com um órgão de imprensa defendendo seus próprios interesses, até quando as idéias são conservadoras e polêmicas, o que de fato acontece em muitos países onde a mídia é regulamentada para que não haja monopólio. O jornalismo tem função imprescindível na sociedade, mas, quando predomina uma visão meramente corporativa de grupos econômicos que dão lucro e pronto, as denúncias tendem a ser feitas de forma seletiva. Uma das principais virtudes da democracia é obviamente a liberdade de imprensa, expressão e manifestacão, mas quando o veículo que possui um posicionamento claro, seja de direita ou esquerda, aceita ser disfarcado como exemplo de imparcialidade, ele se torna conivente com um discurso manipulador que endossa a tese de que a imprensa brasileira é contra o atraso intelectual, exceto quando ela mesma é responsável pela alienação de um público já desorientado.

Um comentário

  1. Acho que a questão que vimos com muito mais intensidade recentemente jornalistas fazendo campanha para o candidato tucano do que simplesmente informando. E a ponto de maquiar conteúdos para o favorecimento do mesmo. Assim como esconder fatos sobre ele que nem o levaria ao segundo turno.

    Ele por sua vez, fiando-se no fato de censurar o jornalismo de Minas, se descuidou falando inverdades que acabaram chegando ao povo de lá via horário político em parcela maior. E deu no que: foi derrotado nas duas vezes pelos mineiros.

    E ele só não perdeu também em São Paulo, devido ao Jornal Nacional e a Veja por conta da matéria para lá de tendenciosa, aquela de capa da revista veiculada às vésperas e à noite quando não daria mais tempo de uma retratação. Com isso eles ganharam os votos dos indecisos lá de São Paulo.

    Com isso, não é nem em acreditar, ou creditar a eles que sejam imparciais. É querer que não sejam como filiados a um partido. Se bem que os da Globo devam “gratidão” a esse candidato que quando governador pagou uma grande dívida dessa com erário público.

    E que a não isenção da imprensa seja pelo país e o povo!

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