Ostensivo, estagnado e hostil

Já era esperado que a maioria dos policiais fosse a favor de uma possível desmilitarização. A lógica é que os praças, maioria, buscam alternativas para um plano de carreira que não funciona, e além da insatisfação, o debate acerca do tema ganha força a cada relato de abuso de autoridade, que são muito frequentes. Os principais articuladores políticos das forças armadas, oficiais, evidentemente são contra uma reestruturação e a PEC 51, do senador Lindberg Farias (PT-RJ), que deve entrar na pauta da casa no primeiro semestre de 2015, aborda tantos pontos relativos a falhas organizacionais que assusta os conservadores. O governo porém, em eterna crise com uma base aliada descontente, dificilmente terá apoio para aprová-la, além de existirem outras propostas que indicam diferentes formas de transição. Fato é que existe uma mobilização para unificar o trabalho policial e consequentemente torná-lo mais eficiente e mais cidadão, mas não existe consenso sobre como isso deve ser feito.

É esperada também a velha lógica de que uma eventual mudanca de tamanha dimensão seja questionada como a solução definitiva que atende todas as boas práicas de seguranca pública, o que obviamente não é a finalidade de quem redige um projeto de lei ou emenda. Outros, oposicionistas xiitas, dirão que, ao ter participação num processo de reforma institucional, o governo federal passa a ter mais controle sobre a polícia, sendo essa etapa mais uma do mirabolante plano para os comunistas se perpetuarem no poder. Como se não bastasse os entraves burocráticos em todos os níveis dos três poderes, tolerar a existência de uma polícia que inicia e outra que “encerra” o processo é ser conivente com os absurdos índices de ineficiência destas instituicões. Além da impunidade, eventuais abusos seriam investigados por uma ouvidoria externa, o que teoricamente traria mais rigor as apurações.

Acreditar numa força policial mais humana e mais próxima do cidadão passa obrigatoriamente pela desmilitarização, e vai além do ingênuo raciocínio de que o treinamento de militares é feito para combater inimigos em situações de guerra. Nenhum treinamento, com exceção de tropas especiais, tem como objetivo instigar o clima de combate, mas a cultura militar traz um clima de hostilidade na postura de um soldado ou cabo que trabalham incitados pelo medo, prova disso é a desconfiança por grande parte da população. Por fim, esse processo não significa apenas a unificação e desvinculação das forças armadas, e sim  mudanças profundas na cultura daqueles que constroem e que dependem da corporação, ou seja, policiais, escrivãos, delegados e, claro, a população.

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