Como aprender a aprender?

Desiludido por escândalos de corrupção ou simplesmente frustrados pela não correspondência dos representantes escolhidos, a população de 16 a 24 anos parece acreditar que a política é um mundo a parte, distante do seu cotidiado. Existe sim uma inversão de valores consolidada por anos de desdém dos políticos para com seus representados, de forma que a reciprocidade não existe: somos um povo a mercê de legisladores-marketeiros-lobistas, e não o contrário, mas esse discurso não pode ser aceito como desculpa para a falta de interesse. Reflexo da torrente de informações via redes sociais, a impressão que se tem é de que quanto maior a disponibilidade de conhecimento menos se aprende, e ao manifestar opiniões a respeito de qualquer evento político o jovem discute como se falasse de futebol, onde se pode torcer de forma descompromissada sem quaisquer consequencias diretas.

A desigualdade é algo tão culturalmente aceito que até mesmo parte dos que são em tese mais instruídos acatam o domínio de um modelo político que disfarça a hegemonia de coronéis, ruralistas e escórias como Bolsonaros ou Fidelixes . É compreensível o desencanto dos jovens, mas nesse caso, entender não é perdoar, já que, diante de algo que lhes desagrada não é feita nenhuma tentativa para conhecer mais profundamente os motivos de seus aborrecimentos. Milhares de adolescentes aglomerados gritando palavras de ordem, mas que não expõe suas demandas de forma clara, dificilmente irão despertar a massa crítica que provoca uma guinada à mudanças profundas. O legado dos protestos de 2013, por exemplo, parece ser a eleição dos deputados e senadores mais conservadores desde a redemocratizacão.

Uma alternavtiva a esses entraves históricos passa pelo ambiente escolar, incentivando debates e a busca do embasamento, assim como pela formação de conselhos populares, algo que foi absurdamente ignorado pelo povo, e não obstante, foi comemorado pela oposição, como o colega Marcelo Campos brilhantemente comentou neste espaço. Os critérios para analfabetismo funcional usados pelo IBGE, que declara nessa condição apenas quem afirma ter menos de quatro anos de educação formal, não refletem a realidade. Podemos observar que a incapacidade de entender, aprender e interpretar é menosprezada no processo educacional, e o interesse por detalhes de um governo é instrínseco a habilidade crítica do cidadão. Políticas de inclusão educacional no ensino superior tem mostrado muita eficácia, mas é preciso estender a preocupação até os primeiros anos de escola e não esperar um milagre: conscientizar é um investimento de longuíssimo prazo.

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