A logística de um gigante

Há tempos estamos pagando o preço por depender quase que exclusivamente de uma logística rodoviária onde há pouca segurança, além dos encargos em lidar com constantes altas de pedágio e combustíveis. Num país de proporções continentais, o principal resultado desse vínculo é o reflexo do alto custo de locomoção sobre os alimentos, e mesmo assim pouco se discute sobre alternativas baratas aos atuais e onerosos meios de escoamento de cargas. Há quem considere o transporte ferroviário como uma real alternativa em plena expansão, mas os números são praticamente irrisórios quando comparados a estrutura rodoviária. Segundo a Confederacão Nacional dos Transportes (CNT), a malha ferroviária nacional chega a pouco mais de 30 mil quilômetros, contando metrôs e trens urbanos, contra 1.359.047 km de rodovias. O plano de transportes apresentando pela própria entidade revela que a eficácia do transporte ferroviário depende de um investimento de R$ 448 bilhões. Meio trilhão.

Por outro lado, é compreensível que a diversidade geográfica imponha barreiras ao estabelecimento de um sistema funcional, tanto que o PAC 2 entregou, até o início de dezembro, pouco mais de 1000 km de ferrovias, quando o objetivo era a conclusão de quase 3.360km, uma meta pouco ambiciosa tendo em vista o interesse de transportadoras privadas, cujas receitas anuais ultrapassam bilhões de dólares, que poderiam tomar parte em elaborações de parcerias público-privadas. O modelo anunciado em 2012 parece ainda estar tomando forma, mas a questão é urgente e um dos principais indicadores do desenvolvimento da economia do país é sua matriz logística, que, ao se mostrar minimamente eficaz, deve atrair investimentos e gerar uma concorrência saudável entre o escoamento tradicional e o transporte expresso.

Nas regiões sul e sudeste a opção aeroviária funciona como resposta as crescentes compras pela internet, mas sua viabiliade para o transporte de cargas comerciais depende de grandes volumes, dados os custos de operacões das aeronaves. Seja qual for a alternativa factível, é incerto, pelo menos a médio prazo, que consigamos diminuir significativamente a dependência de rodovias, portanto, ao mesmo tempo em que opções possíveis são discutidas e arquitetadas, deve se considerar um incentivo maior ao consumo de biodiesel ou etanol não apenas por questões ambientais, mas principalmente de forma que venha diminuir a demanda por uma oferta já escassa de combustíveis fósseis, o que os torna absurdamente caros, mesmo em estados produtores. Autonomia para escolher o meio mais viável pode se transformar num importante aliado contra a inflação, portanto é imprescindível que que tenhamos uma logística multimodal indespendente da representatividade política dos interesses da indústria automobilística, saindo assim, da estagnação na qual nos encontramos.

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