PMDB, a eterna incógnita.

O diferencial da campanha que levou a presidente Dilma à disputada reeleição foi sem dúvida uma militância muito dedicada, fortalecida pelo respaldo de dados mais acessíveis via internet. Convenhamos que militantes de partidos como PSDB ou do inabalável PMDB são uma espécie em extinção, e o máximo que encontramos hoje são fascistinhas que, pedindo impeachment na Av. Paulista junto com algumas dezenas de ex-militares, vociferam discursos de ódio em apoio a Aécio Neves porque o tucano teve a malandragem de chamar um golpe de revolução. Ou apóiam simplesmente porque os manifestantes odeiam, com certa razão, o PT a ponto de a estiagem ser culpa do governo federal. Indiferente a militância fria, o PMDB ganha força de dois em dois anos. O partido pega-tudo parece ter se fortalecido justamente por não defender nenhuma ideologia, portanto, são dependentes de um eleitorado mais heterogêneo do que a média e sustentar seu apoio a políticas sociais não é uma convicção ideológica, e sim uma obrigação estratégica para sua sobrevivência.

É justo lembrar que o maior partido do país merece ser reconhecido por ter feito uma importante oposição ao ARENA durante o período mais autoritário da história, no entanto, um dos pilares da manutenção de sua força tem sido o conservadorismo dominate entre as lideranças do partido, e será ainda mais a partir da atual legislatura. O resultado das eleições provou que grande parte de seus deputados e senadores devem se indispor para com o governo em votações importantes, mesmo que a alta cúpula tenha firmado boas relacões com o PT. Eduardo Cunha (RJ), líder do partido na câmara, lobista e conservador, mostra interesse e planos para estabelecer uma nova “alta cúpula”, revelando poder ao quebrar a alternância na presidência da casa entre PMDB e PT. Governar nos últimos anos não tem sido mais questão de resiliência do que questão de simplesmente ter a maioria, e é por meio dela que a incógnita continuará legislando. Assim, parece inusitado falar em ditadura da esquerda quando ainda somos um país muito conservador em tempos de austeridade.

A oposição, que em diversas oportunidades – tanto durante os governos Lula quanto durante o primeiro mandato de Dilma – se mostrou desorganizada, é fortalecida a partir de hoje não só pelo acréscimo de onze deputados do PSDB ou do crescimento expressivo do PSB, mas também pelas divergências internas no maior aliado do governo. Uma organização que busca atrair membros com uma ideias diversas pode ser algo positivo, mas tende a passar por ciclos de dissidências, além de, historicamente, trabalhar sempre a curto prazo. Quando essa composição se firma, ao longo de três décadas, como a maior força política de um país gigante, no entanto, os rumos não ficam claramente estabelecidos. A despeito da festa de posse e das reformas ministeriais, a presidente pode esperar qualquer coisa menos um feliz ano novo diante das dificuldades em dialogar com um partido tão divido. A única certeza que realmente temos em relação aos planos do pega-tudo é o óbvio: continuar grande e aumentar a influência.

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