ARENA: o novo, de novo.

Não bastasse a bagunça legislativa muito em função da existencia de 32 partidos polítcos, um movimento formado por jovens de extrema direita, liderado por uma bolsista do prouni, refundou o ARENA, partido oficial da ditadura militar. Tudo novo, de novo. Por meio de uma revolução conservadora, o partido teria como uma de suas prioridades a privatizacão de parte do sistema carcerário, o que na prática representa uma desculpa para não investir em educação pública de qualidade. Felizmente o partido (ainda) não tem nenhum representante eleito, tanto em eleições gerais quanto municipais. Abdicar do incentivo a cultura por meio do ensino é o motivo pelo qual o judiciário tem uma imagem enfraquecida e desgastada diante do povo brasileiro. Crescemos ouvindo que “a justica tarda”, por exemplo, o que realmente acontece, mas quase nunca por má vontade daqueles que o representam. A influência política é a raiz da impunidade nesse poder, o que, por sua vez, gera um descrédito alimentado por décadas de uma demanda desproporcional a estrutura judicial. Crises como fugas ou rebeliões em presídios e penitenciárias fazem a o favor de lembrar-nos que o sistema carcerário faliu, e a lógica mais óbvia de um extremismo inconsequente é sem dúvida passar o problema para as mãos da iniciativa privada, acreditando numa melhora do serviço somado ao fato de que o povo não poderá cobrar do estado a responsabilidade sobre esse setor.

Em tempos de austeridade, é comum aplicar as maiores sanções àqueles com os quais menos nos importamos, julgando o valor de cada um pela sua ção na sociedade, e naturalmente esse desdém por qualquer condenado é compreensível levando em consideração apenas esse aspecto. Diante de tais exageros, porém, corremos o risco de que outros grupos sociais venham a sofrer, de forma proporcional, com medidas governamentais injustas de forma que a austeridade será um precedente para abusos. Essa eventual preâmbulo pode fugir do controle, levando a pressões pela ção da maioridade penal, algo que já parece bem aceito pela classe média. O arranjo seria resumido a: quanto maior a quantidade de presos, maior o lucro. O judiciário, já com fama de ineficaz entre a população, sofreria mais um golpe por ter a influência diminuída sobre o controle dos detentos, e mesmo assim a imprensa faria com que a privatização soasse como algo positivo, sendo então algo ainda mais aceito e até comerado por alguns. Num sistema político que permite financiamento privado ilimitado, os mantenedores de presídios particulares investiriam cada vez mais em lobistas que fariam questão de abandonar qualquer vestígio de controle público sobre uma população prisional que cresce exponencialmente em função da falta de estrutura educacional e cultural em nosso país. E ninguém parece se importar.

Dadas as circunstâncias ressocializar seria o últimos dos interesses, já que o detento oferce mão de obra a um preço simbólico. Mais um argumento de desenvolvimentistas indiferentes a exploração semi-escrava, comum no setor varejista. O trabalho pode e deve gerar uma humanização, mas a busca pelo sucesso comercial pode levar o indivíduo a ser visto como uma mercadoria, algo plausível se levarmos em conta uma opinião pública cuja argumentação é de que bandido bom é bandido morto. Atualmente as licitações para empresas terceirizadas que prestam serviço a penitenciárias públicas são no mínimo passíveis de revisão ou auditoria, haja vista o valor dos contratos e o que é de fato entregue, portanto, é ingenuidade acreditar que a privatização traria fim a corrupção sob anjustificativa de que os funcionários e internos teriam uma ção mais rigorosoa. Ora, ao mudar a administração, a corrupção não acabaria, mas seria apenas transferida dos agentes para os políticos financiados pelos magnatas exploradores do mercado de condenações. Apesar de o novo ARENA ter renovação no nome, o nível educacional de desinformados que apoiam a tortura diminuiria, ou, no melhor dos casos, continuaria estagnado e o mais previsível dos resultados seria uma maior influência de oligarcas emergentes sobre um ambiente político cada vez mais desorganizado e obsoleto.

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