Informar por informar

Assim como qualquer outra expressão banalizada em debates superficiais sobre política, atribuir qualquer crítica ao governo a “mídia golpista” parece ser um exagero frequentemente posto em prática por militantes xiitas. No entanto, existem sim veículos de um conservadorismo absurdo, que fazem por merecer tal rótulo. Não bastasse o desespero de Veja, Estado e Globo pelo “conjunto da obra”, ou seja, doze mais quatro anos de um governo que os assusta e que tem como uma de suas prioridades regular a imprensa, a concorrência com a internet é, felizmente, desleal, contribuindo para restringir, mesmo que de forma simbólica, sua imensa influência sobre a opinião pública. Cerceada por rígidas adequações editoriais, a carreira do jornalista empregado por esses gigantes parece ser determinada pelo posicionamento político de seus superiores mesmo quando, depois de acumular certa experiência, ele muda para uma redação mais moderada. Outros, desencantados por um mercado que pouco valoriza a profissão, simplesmente trabalham para quem lhe pagar mais, independente de suas convicções. Estudantes idealistas são convertidos em defensores do tudo ou nada pela força do salário sobreposta a suas resoluções pessoais.

Somada a desvalorização da categoria e também resultado dessa triste realidade, grande parte dos cursos superioes de comunicação buscam formar um profissional técnico e pronto. O foco de um país em que o desenvolvimento educacional não acompanhou um breve boom econômico parece ser apenas gerar oferta para a demanda e não formar pensadores. No jornalismo, não filtrar a enxurrada diária de informação em meio as quais o repórter se encontra é simplesmente contentar-se com o superficial. A imparcialidade é um mito e em outras oprtunidades já pude explicar que não existe nada de errado em um veículo de imprensa que se posiciona de forma clara, mas reitero que o problema é quando esses mesmo veículos são tidos como exemplos de isenção. Mesmo sem a necessidade de diploma para exercer a profissão, o número de jornalistas diplomados é alto devido a gradativa universalização de cursos superiores, mas a quantidade sem qualidade gerou números e relatórios que, quando olhados de relance, parecem resultados de uma verdadeira revolução científica, mas são os mesmos números que mascaram a realidade onde o profissional é sem dúvida mais importante do que o ser humano.

Informar por informar utilizando dados fora de contexto, além de prejudicar a imagem da fonte, é também superestimar a capacidade crítica de uma opinião pública pouco instruída, já que muitos se satisfazem apenas com títulos das matérias ou, no máximo, com o primeiro parágrafo do texto, construindo desse jeito um entendimento equivocado. Estudos semiológicos comprovam que não é possível desvincular novas impressões e opiniões de valores pré adquiridos formadores não apenas de nosso posicionamento político e social, como também de nosso comportamento e conceitos sobre ética e moral. Dessa forma é óbvio que qualquer informação sobre a qual nos interessamos é passível de preconceito e aquele que deseja agregar algo a opinião pública deve ter ciência de que seu dever é o mesmo do jornalista: diversificar e apurar ao máximo suas fontes. Enquanto um grande parte da população acreditar que depende de poucas opções para ter acesso a informacão de qualidade duvidosa em pleno século XXI pouco adiantará ter acesso a quase tudo via internet, já o que o que realmente se quer é nada.

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