Dependência ou morte

A vitória em primeiro turno de Eduardo Cunha (PMDB – RJ) para a presidência da câmara é prova cabal de que na práica o maior aliado do governo será oposição a partir de hoje, por mais que o presidente recém eleito negue. A convenção nacional do partido em 2014 mostrou na prática que a posição de independência já exercida por grande parte de seus deputados deve ser ainda mais adotada em 2015 por pelo menos metade dos peemedebistas. Além dos treze partidos que o apoiaram, o perfil conversador e conservador de Cunha estabeleceu um excelente trânsito com os três maiores partidos divergentes, dessa forma não será supresa uma coalizão formada por PSDB, DEM, PSB e metade do PMDB em votações importantes como redução da maioridade penal, defendida pelo novo presidente. A atual liderança não é apenas o símbolo da ingovernabilidade de um executivo isolado, mas também marca o reflexo do antipetismo no legislativo.

Muito ocupado pelo constante gerenciamento de crises política e/ou institucionais, o PT simplesmente não se preocupou em crescer de baixo para cima e a estratégia básica de fortalecer diretórios municipais foi imprudentemente ignorada. Basta olhar para o crescimento do PMDB para se ter idéia da eficácia desse tipo de planejamento. Reclamamos dos políticos mas as posses de ontem refletem boa parte da sociedade. Bancada evangélica crescendo exponencialmente, lobistas que não seriam eleitos sem o respaldo de conglomerados mafiosos, além dos ruralistas, um nome muito bonito adaptado para os proprietários de escravos do século 20 e 21. O cenário político parece submisso a um marketing maquiado por coberturas jornalísticas fajutas e que paradoxalmente são admiradas como símbulos de imparcialidade e a eleição e reeleicão respectivamente de Eduardo Cunha e Renan Calheiros provam que existe um relacionamento de martírio entre eleitor e eleitos. Muitos simplesmente não querem assumir a responsabilidade, portanto a culpa vai sempre ser do governo, não importa se for do partido A ou B.

O atual presidente da câmara mostra como é fácil eleger um político e torná-lo refência quando se tem um veículo de comunicação totalmente disposto a fazê-lo, e ninguém parece se importar com legisladores testas-de-ferro. É claro que o fim do financiamento privado não é a solução pra tudo que existe de ruim no mundo, mas deveria deveria ser minimanente entendido pra que aquele senhor de 70 anos que trabalha dez horas por dia, passa três horas no transito e que vota em um deputado financiado por bancos, mineradoras, shoppings e grupos de comunicação alimentando esperanças de vida melhor. Cunha defende a reforma política, mas sua única preocupação a respeito da legislação eleitoral parece ser a sanção de uma cláusula de barreira, afinal, para que falar sobre financiamento privado quando sua campanha custa quase R$ 7 milhões majoritariamente financiados por bancos, mineradoras e varejistas? Para que mudar o processo pelo qual ele e seus colegas vem sendo eleitos? O maior partido do país e suas lideranças ascendentes mostram que fazer parte da base aliada e da oposição ao mesmo tempo são imprescindíveis para se manter como principal força política, e quem for contra, não importa quem, será simplesmente esmagado.

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