Hora de dar as caras

“O PMDB sempre vai escolher apoiar o Brasil. Pode confiar.” Todo o mistério em torno do programa que será demonstrado pelo maior partido do Brasil dia 26 em rede nacional gera inúmeras especulações entre os analistas da grande imprensa. Uns indicam ruptura oficial com a situação, algo que conta com cada vez mais adeptos peemedebistas desde 2013, enquanto outros entendem o comunicado como uma manobra para a preservar sua imagem em meio a mais um escândalo de corrupção, além de adiantar um posicionamento no que diz respeito a eventuais reformas. Estas, no entanto, são apenas hipóteses que outras lideranças não confirmam ou desmentem, já que as articulações estaduais e municipais são totalmente independentes da frágil relação de aliança com o planalto. A ansiedade em torno do que será anunciado é mera consequencia da influencia descomunal que o partido exerce sobre o governo e apesar da inquietação não se restringir aos bastidores do meio parlamentar, o assunto está longe de preocupar eleitores que há menos de seis meses atrás pareciam saber tudo sobre todos os partidos.

Infelizmente a maioria dos brasileiros parece acreditar que o exercício da democracia se dá apenas durante o período eleitoral, que é moldado por uma legislação ultrapassada, fazendo com que o nível de politizacão permaneca extremamente raso e embasado por clichês. Exemplos históricos, como a nebulosa conversão à Nova República entre Figueiredo e Sarney, indicam que uma reforma profunda raramente é provocada apenas pela necessidade evidente de mudanças, mas em maior parte porque os governantes aceitam fazer concessões para poder conservar certa influência sobre a transição. Ademais, no momento mais propício a realização dessas permutas, o novo parece ser também o suficiente. Não precisa ser bom, basta ser diferente, afinal, em 1987/88, depois de duas décadas, um presidente civil e uma constituinte foram o bastante para converter, com grande ajuda da imprensa, um plano de poder formulado principalmente pelo PMDB e PFL numa sublime revolução democrática.

Eis que chega 2015. Quase trinta anos depois, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Helder Barbalho, Kátia Abreu e outros filantropos terão dez minutos para demonstrar que, mais uma vez, o partido será o responsável pela guinada que nos afastará da crise. O timing não poderia ser melhor, haja vista o cenário apocalíptico previsto por divindades onicientes como Merval Pereira e Olavo de Carvalho. Vista com desconfiança nas duas últimas eleições, Marina Silva teve o óbvio como única estratégia: se apresentar como alternativa a velha polarização. Os resultados e outras pesquisas de opinião mais atualizadas realmente dão respaldo a uma “terceira via”, algo que deve ser mais explorado pelo PMDB graças ao melancólico isolamento em que se encontra o PT. Pessoalmente, sou indiferente a qualquer sentimento patriótico ou nacionalista, mas há quem diga que o brasileiro só fica assim durante grandes competições esportivas. Pois bem, parece que somos uma democracia igualmente dispersa, engajada apenas de dois em dois anos. A história se repete, e o que devemos ver dia 26 é o novo, de novo.

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