Feira das vaidades

Por Pedro Correa

Mais uma vez aqueles que deveriam lançar um olhar de aperfeiçoamento sobre a nossa jovem democracia acabam falando demais. Temos visto uma inversão de valores no que diz respeito a manutenção de um modelo que, apesar de suas falhas, é ainda assim superior a tudo que já vivemos. Quando os ex presidentes Lula e Fernando Henrique buscam direcionar a opinião pública para projetos de poder, vemos uma vulgarização dos mesmos valores defendidos pelos dois quando presidentes. Falar é fácil e oportuno, por isso homens que ocuparam cargos tão importantes deveriam fugir do senso comum e se posicionar de forma exemplar ou pontual, especialmente em momentos de instabilidade. Obviamente não é proibida a manifestação de ex presidentes a respeito da conjuntura política e outros temas universais, porém, espera-se algo mais elegante do que tutela pública sobre a pŕopria presidente, no caso de Lula, e golpismo, no caso de FHC.

Infeliz, mas compreensivelmente, o cenário político sofre com tamanho desprestígio que até mesmo lideranças mais experientes e historicamente populares buscam mudá-lo por meios que não sejam a evolução constante da democracia. Na terra dos impunes, juiz que trabalha é deus, e assim, aberta a brecha, os idolatrados e responsáveis pelo resgate de um falso moralismo são agora membros do judiciário especialmente representados nas figuras de Sergio Moro, Gilmar Mendes e, eventualmente, Joaquim Barbosa, por muitos visto como um ser lendário que deveria ser candidato a presidência em si não apenas por ter sito o relator do “mensalão” mas também por possuir uma trajetória na qual enfrentou adversidades. A contraditoriedade de parte desta opinião pública que busca transformar juízes em lideranças políticas reside pura e simplesmente na definição do cargo exercido por eles, que legalmente não podem possuir vínculos político partidários.

Há tempos o contexto nos dá incontáveis motivos para demonizar “política”, mas o interesse pelo conceito em abstrato deve ser mantido como direito conquistado e livre de generalizações a fim de esclarecer que o fortalecimento institucional é talvez o único elemento positivo que podemos extrair da torrente diária de más notícias. Democracia é participação e a pieguice de que não devemos exercê-la apenas em dias de eleições mas também de outras formas, como debates e prebiscitos, deveria ser encarada com naturalidade, no entanto a oficialização de comentários feitos por ex presidentes acerca de títulos tendenciosos resulta apenas em maniqueísmo político, contribuindo para a novelizar ainda mais uma crise real e, neste caso, não diferencia as excelentíssimas lideranças de revoltados que vociferam ódio em redes sociais. O fogo cruzado de egos por meio da imprensa reforça a necessidade de buscarmos diversificar nossas fontes para que não paguemos a conta de senhores envaidecidos com frases prontas, ignorância e, sobretudo, indiferença.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s