Especial 50 anos: Pet Sounds

Por Pedro Correa

        Wall of Sound! A técnica inovadora criada por Phil Spector dava tanta densidade a suas produções que foi batizada de “Muralha de Som”. Combinações de instrumentos sobrepostos em mono geravam uma reverberação revolucionária e, inspirado pela qualidade de uma técnica aparentemente tão simples, Brian Wilson então passou a ver no estúdio não apenas um ambiente, como também um elemento de criação intimamente ligado a mensagem de suas composições, e o resultado não poderia ser outro. Pet Sounds, sua obra prima junto com Smile, traduz  as alegrias e angústias de um jovem tão criativo que mal tinha a compreensão daqueles que lhe eram mais próximos, exceto seus irmãos Carl e Dennis.  Buscando algo mais profundo do que a velha fórmula surf-garotas-carrões, o cérebro dos Beach Boys viu em Tony Asher o letrista que poderia ajudá-lo a encontrar palavras para complementar suas pequenas sinfonias, não sendo a toa, portanto, que as letras contenham reflexões praticamente autobiográficas. O disco, que completa cinquenta anos em 2016, ficou em segundo lugar entre os 500 melhores de todos os tempos pela revista Rolling Stone, e nós do entrelinhas.org também damos pitaco. Realizamos a (in)grata tarefa de ranquear as doze músicas de pior – ou “menos melhor” – para a melhor, baseando os votos dos editores e colaboradores em conceitos abstratos que vão de zero a cinco, cada faixa foi comentada então olha só como ficou.

12. Pet Sounds

Baixo memorável e construído de forma a dar andamento percussivo a música, já que a bateria tradicional como conhecemos até hoje foi pouco usada neste disco em particular.

11. Don’t talk

Excessivamente melancólica, até para os padrões de Brian Wilson. Os violinos dão tom especialmente triste para uma letra que, mesmo se comparada a outras do mesmo disco, não é tão negativa assim. O prato de condução um pouco monótono não permite uma evolução como nas faixas mais bem colocadas.

10. Let’s go away for Awhile

Ousada. Prova cabal de disposições ao experimentalistamo. Não apenas Phil Spector mas também o Rubber Soul, lançado meses antes, despertaram a ânsia de Brian em realizar um disco no qual, segundo ele mesmo, “todas as faixas se complementariam, sem ‘gordura’”.

9. Sloop John B.

Introdução ao Pet Sounds e suas as formas de produção. Única faixa gravada em 1965, parece ter servido como forma de aproveitar um auge ao qual todos os Beach Boys, não apenas Brian, haviam chegado. Brian e Mike dividem os vocais principais, e, ao vivo, Carl assume. O backing vocal de Al Jardine no segundo verso é igualmente notável. Já o promo vídeo, no qual a banda simplesmente brinca em uma piscina, mostra o quanto estavam unidos e sem grandes diferenças, ao menos na época.

8. I just wasn’t made for these times

Pet sounds já foi definido como um disco com elementos autobiográficos e o tempo provou isso quando Smile foi lançado apenas em 2004.  A instrospecção desta faixa é particularmente tocante, já que exemplifica momentos durante os quais um gênio sentia-se constantemente mal compreendido.

7. That’s not me

Impossível imaginá-la cantada por outro que não Mike Love.  Os vocais característicos misturam-se a questionamentos corriqueiros da juventude como “quero mostrar que cresci e sou independente” ou “minha vida solitária não é tão boa assim”.

6 – Caroline, no

O resumo da proposta muscal apresentada pelo disco vem apenas na última faixa. Cravo, percussão, baixo e vocal solo dão tom erudito a um desabafo e uma das faixas mais pessoais e íntimas do disco.

5 – You still believe in me

Uma aula de vocalização que pouco difere de harmonias complexas criadas por Mozart, por exemplo, em Requiem. Assim como a primeira colocada, dava indícios de que algo ainda mais complexo, como “Wonderful”, em Smile, estaria por vir.

4 – Wouldn’t it be nice

Única letra que segue a velha fórmula, como em “Don’t worry baby” ou “Let him run wild”. Não a toa foi o maior sucesso comercial do disco.

3 – Here Today

É praticamente uma despedida do conteúdo lírico presente em graus diferentes nos discos anteriores. Caso não fossem os arranjos complexos do pet sounds inteiro, a musica poderia ser tocada ao vivo da forma que os beach comecaram fazendo.

2 – God only knows

Carro chefe do disco. Uma bela forma de expressar amor puro pelos irmãos e o toque especial é a voz angelical de Carl, que, amadurecendo, mostrava-se cada vez mais alinhado criativamente com seu irmão.

1 – I’m waiting for the day

Arranjo maravilhoso, com destaque para o contrabaixo acústico. A pequena sinfonia cresce de forma muito similar a uma sinfonia tradicional. Não possui os vocais mais complexos do disco, mas o conjunto da obra dá vários indícios de que “Good Vibrations” estava por vir. Não deu outra.

O Pet Sounds completo no youtube voce escuta clicando aqui. Em mono!

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