O eterno trilhão

Por Pedro Correa

Precisamos falar “economês”, já que, sustentado por grande parte da imprensa tradicional, o discurso governista de retomada de crescimento e dinamização do mercado de trabalho em nada condiz com a realidade da esmagadora maioria da população economicamente ativa. Não obstante o endividamento recorde das famílias, as empresas também não conseguem honrar seus débitos, o que escancara uma política financeira absolutamente pró cíclica em favor dos credores da dívida pública. O único compromisso dos tais “ajustes fiscais” até agora tem sido assegurar que a riqueza produzida socialmente – em meio a um grave processo de desindustrialização – seja transferida de forma cada vez mais concentrada para credores de títulos leiloados mensalmente: sem alarde e de forma pré ou pôs fixada o rentista sempre vence.

Sem gerar quaisquer novas receitas e tendo congelado constitucionalmente investimentos em setores estruturais para a formação de capital doméstico, o presidente não eleito e sua quadrilha de escudeiros simplesmente desconsideram que crescimento do PIB não significa necessariamente desenvolvimento, principalmente em um país que apresenta os maiores índices de desigualdade do planeta. Os juros reais permanecem exorbitantes a despeito das ultimas quedas da SELIC; acrescente a indexação de produtos básicos ao dólar, e dessa forma torna-se evidente a constatação de que o povo não tem crédito, não consome, não empreende, empresas não investem, de forma que não há aumento sistemático de produvidade: o carro chefe da economia continua na mão de latifundiários que, mesmo dispondo da agricultura mais competitiva do mundo, importam 40% dos seus materiais.

É muito conveniente repetir manuais de economia em veículos de imprensa de grande alcance, afinal, as maiores empresas de comunicação do pais compactuam com o contrato histórico do rentismo. Vale ressaltar que a mais sanguessuga das formas de exploração do tesouro nacional não é exclusividade de banqueiros e corretoras, e sim daqueles que acumulam riqueza sem produção industrial, já que esses mesmos custos são absolutamente estressados por juros injustificáveis. Não há paralelo em qualquer economia desenvolvida no mundo, e sem uma auditoria independente e pragmática, sem a clareza de que quanto mais se paga, mais a divida cresce, o processo de empobrecimento do trabalhador, a informalidade, o aumento do desemprego, todos esses sintomas de uma economia doente, em estado terminal, tendem a se tornar irreversíveis.

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