O menino Brasil e a dama da direita

Nos meus tempos de escola, mais especificamente naquele período onde percevejos vermelhos surgem na sua cara e seus órgãos genitais parecem não funcionar mais por conta própria, havia uma barreira a ser quebrada para que você pudesse almejar algum cargo de destaque na pirâmide social escolar: Ser ou não BV! A escola era dividida, basicamente, entre: BV’s (Bocas Virgens) ou Não BV’s.

Obviamente, por muito tempo fiquei fora da pirâmide, mas, pelo bem de todos, deixemos esse assunto de lado. Fiz toda essa introdução quase que escatológica para dizer: O Brasil é um BV na política. Somos adolescentes em plena puberdade, com os nervos à flor da pele, sem discernimento para centralizar ideias e definir prós ou contras.E não há nada de errado nisso.

Levando em conta que temos cerca de 30 anos dedemocracia, não é de se espantar que passemos por períodos de experimentações políticas. Aliás, se pegarmos o histórico da maioria dos países europeus, veremos que eles também passaram por percalços, onde os espectros democráticos foram testados. Imaginemos que o Brasil é este moleque na puberdade.

Agora, este pequeno homem tem que escolher entre duas damas que o disputam a ferro e fogo. A dama da direita se veste com finesse , usa perfumes magníficos e preza pela sua beleza como se esta fosse a única coisa que lhe importasse; já a da esquerda, é uma típica hippie que usa vestidos floridos lindos, ouve rock progressivo e emana “paz e amor” – sim, estereotipei os dois lados propositalmente.

Esse pequeno chamado Brasil se encantou pela dama da esquerda. Ele adorou o seu papo sobre direitos humanos e igualdade de condições para todos. Namorou-a por duas semanas e descobriu que, toda quinta-feira, ela ia ao bar do Zé para tomar uma pinguinha e pegar um sindicalista safado.

O menino Brasil ficou puto, deprimido. Achou que sua vida tinha acabado. Sem perceber, começou a caminhar em direção à dama da direita. Ela o recebeu com uma cerveja irlandesa e petiscos. Com sorriso hipócrita, disse que nunca irá trai-lo. Promete de joelhos que eles terão um futuro prospero e harmonioso. O garoto sabe que ela também tem um histórico de traições. Porém, o trauma e o excesso de testosterona fazem com que ele se esqueça destes pormenores e se entregue a uma nova paixonite adolescente.

O pobre menino perceberá que o outro lado da laranja também pode ser podre? Como obrigaremos um jovem na puberdade a ter discernimento para saber que o que interessa – desculpem o clichê – é o que vem de dentro e não o estilo da dama. O Brasil está começando a beijar a dama da direita; o Brasil terá que beijá-la para descobrir suas reais intenções: Passará ele por um novo chifre? Ficará ele ainda mais ferido do que já está? Achará outra hippie de esquerda que não goste de pinguços? Contentar-se- á com a garota que lhe serviu cerveja irlandesa e a elegerá para ser sua dama pelo resto da vida?

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

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